O Pão e o Circo em Abaiara: Onde Termina a Fé e Começa o Marketing?
A encenação da Paixão de
Cristo em Abaiara foi grandiosa aos olhos, mas amarga para quem conhece a
realidade do município. Não se questiona o valor da tradição ou da fé, mas sim
a prioridade de um governo que investe no espetáculo de uma noite enquanto as políticas
públicas para o povo parecem estar em jejum o ano inteiro.
Quem passou pela encenação
da Paixão de Cristo em Abaiara viu um espetáculo de encher os olhos. Mas, para
quem vive o cotidiano da nossa cidade, fica uma pergunta incômoda: onde termina
a fé e começa o marketing político?
É louvável investir em tradições,
mas causa estranheza ver tanto recurso e energia concentrados em poucas horas
de show, enquanto os setores que deveriam funcionar os 365 dias do ano parecem
esquecidos. O que vimos não foi apenas uma homenagem religiosa, mas uma
"política de fachada". É o velho estilo de governar para a foto, para
o Instagram, ignorando a construção de algo sólido para a nossa cultura local.
O cidadão de Abaiara é
inteligente. Ele percebe quando o sagrado é usado como escudo para esconder a
falta de planejamento real. Gastar fortunas em um evento isolado, enquanto as
instituições da cidade são deixadas de lado, não é investir em cultura — é
fazer propaganda com o dinheiro do povo.
Uma gestão pública séria não
vive de encenação. O respeito à nossa gente se mostra no apoio constante aos
nossos talentos e na transparência com os gastos, e não apenas quando as
cortinas se abrem. O brilho do evento de um dia não pode apagar a realidade de
abandono dos outros meses. Menos "teatro político", mais compromisso
com o que é de todos.



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